Todas as edições do VOX
Coluna do VOX

NEABI

9 textos publicados

A coluna NEABI promove informação, reflexão e diálogo sobre as culturas afro-brasileiras e indígenas, a diversidade e o enfrentamento ao racismo e a outras formas de discriminação. Seu conteúdo abrange datas de referência, história, identidade, ações do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, atividades do campus, políticas de inclusão e valorização da diversidade. Com uma abordagem predominantemente informativa e reflexiva, apresenta explicações históricas, entrevistas, divulgação de atividades e orientações para uma convivência respeitosa, relacionando a produção de conhecimento à responsabilidade social. Dessa forma, contribui para uma formação mais consciente e inclusiva, ampliando o conhecimento dos estudantes e incentivando atitudes de respeito, igualdade e valorização das diferentes identidades.

Ed. 23 Artistas indígenas fomentam a cultura e diversidade de — Ed. 23, p. 10

Artistas indígenas fomentam a cultura e diversidade de suas etnias! Oi corujinhas! Anualmente, no 9 de agosto é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo, com o intuito de aumentar a conscientização sobre a importância desses grupos populacionais. A data, adotada em dezembro de 1994 pela resolução 49/214 da Assembleia Geral da ONU, marca o dia da primeira reunião do Grupo de Trabalho da ONU sobre Populações Indígenas da Subcomissão para a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos, realizada em Genebra em 1982. Vocês já pensaram na importância dos saberes das comunidades dos povos aborígenes… Muitos desses saberes também despertam o interesse da ciência, especialmente em áreas como a Biologia, a Ecologia e a Etnobotânica, ciência que estuda a relação entre as sociedades humanas e as plantas. No Brasil, os povos originários têm um papel fundamental na preservação da biodiversidade. Estudos mostram que territórios indígenas podem contribuir para a conservação de florestas e de diferentes espécies de animais e plantas. Proteger esses territórios, portanto, também significa proteger o meio ambiente e o equilíbrio dos ecossistemas, ajudando na regulação do clima e da própria dinâmica da fauna e da flora. Mas essa data não deve ser apenas uma celebração. Ela também é um momento para refletir sobre os desafios enfrentados pelos povos indígenas, como a perda de territórios, preconceito, violência e as ameaças à preservação de suas culturas e línguas. A presença de artistas indígenas também é fundamental para a valorização e a preservação dessas culturas. Por meio da música, da pintura, da literatura, do cinema, da dança e do artesanato, esses artistas registram e divulgam conhecimentos, histórias, símbolos e diferentes formas de compreender o mundo. Além de fortalecer a identidade de suas próprias comunidades, sua atuação amplia a presença indígena nos espaços culturais e na mídia, contribuindo para combater estereótipos e apresentar a diversidade existente entre os diferentes povos. O grupo Brô Mc ‘s se consolidou como primeiro grupo de rap indígena no Brasil. Formado em 2009 por integrantes das etnias Guarani e Kaiowá, ele une elementos do rap e da musicalidade indígena de suas etnias, misturando o português e o guaraní para a expressão da cultura originária em suas canções e apresentações. Kátia Sabino Rodrigues, mais conhecida pelo nome artístico Katú Mirim, é cantora, compositora, rapper e atriz brasileira. Uma das grandes vozes indígenas na construção de um imaginário sobre o futuro, identidade ancestral e memória indígena. O trabalho mais recente de grande reconhecimento deles foi a colaboração com a cantora internacional Anitta, em seu até então, último álbum: EQUILIBRIVM II, na faixa 17 nomeada de Okê - saudação de origem iorubá, usada em religiões de matriz afro-brasileira para saudar Oxóssi, o Orixá caçador das matas. “Okê, okê, okê, okê Eu preparo a emboscada, eu te espero aparecer Okê, okê, okê, okê Caçadora que tem pressa, vai pra casa sem comer Pataxó, Tikuna, Múra, Terena, Turuwara Guajajara, Potiguara, Tapeba, Tupinambá Ianomami, Kayapó, Munduruku, Ashaninka -Kaiowá” -apresentar-no-rock-rio

Ed. 22 NEABI — Edição 22 (2026), página 8

v O Racismo Ambiental em Debate no IFMS Durante a Semana do Meio Ambiente, realizada no campus de Campo Grande entre os dias 8 e 12 de junho, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) promoveu uma reflexão necessária e urgente: a intersecção entre o racismo e a crise ecológica. O convidado para mediar essa discussão foi o professor Adler Santos, doutorando pela UFMS, ministrou palestras tanto para os estudantes do Ensino Médio Técnico Integrado quanto para as turmas dos cursos superiores e do PROEJA. O professor Adler traçou uma linha histórica, evidenciando como a Revolução Industrial e o avanço do modelo capitalista, pautado pelo acúmulo de capital, exacerbaram as desigualdades que resultam, hoje, no racismo ambiental. O conceito, cunhado na década de 1980 pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr. Um ativista norte-americano e ex-assistente de Martin Luther King Jr, define-se pelas injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre populações vulnerabilizadas. Como bem pontua a pensadora Tania Pacheco, o racismo ambiental não depende apenas da intenção raA discussão ganhou contornos práticos ao trazer o cenário de Campo Grande. Estudantes do Ensino Médio Técnico Integrado relataram durante a palestra, vivências reais em seus próprios bairros, onde a ausência de saneamento básico, a coleta de lixo ineficiente e o descaso da gestão municipal refletem o racismo ambiental Essas questões ecoam tragédias nacionais, como as recentes inundações na região metropolitana do Rio de Janeiro, que evidenciaram a falta de moradia digna e serviços básicos para populações periféricas e negras. Enquanto comunidades indígenas e quilombolas são as que mais sofrem com a invasão de territórios e violações de direitos, dados do MapBiomas mostram O NEABI acredita que a justiça ambiental é indissociável da justiça racial. O combate a essa desigualdade exige políticas públicas que integrem as comunidades afetadas na tomada de decisão, valorizem saberes tradicionais e reconheçam o papel central das populações vulnerabilizadas. Em um esforço institucional para alinhar-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a discussão reforçou que soluções eficazes só virão quando colocarmos essas populações no protagonismo da proteção ambiental. Como ressaltou a ministra Anielle Franco em Para aprofundar essas reflexões, o professor Adler Santos indicou o projeto "A Turma do Açaí", uma iniciativa pedagógica valiosa que utiliza recursos visuais e narrativos para abordar questões socioambientais de forma lúdica e educativa. Convidamos a todos a conhecer mais sobre esse trabalho pelo instagram: Instagram da turma O NEABI reafirma seu compromisso de manter viva essa pauta, transformando a instituição em um espaço de diálogo, conscientização e luta por um futuro mais humano, democrático e saudável para todos.

Ed. 21 O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) - Campus Campo Grande foi responsável — Ed. 21, p. 6

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) - Campus Campo Grande foi responsável pela sequência de eventos, oficinas e palestras que juntos deram respeito a Semana da Consciência Indígena 2026, que ocorreu do dia 22 á 24 de abril. O evento foi organizado com o intuito de mostrar e celebrar a diversidade dos povos originários, com ações práticas e orais realizadas pela equipe, contando com a participação do grupo Kali Seno Terenoe Mariane, de Miranda/MS e a Oficina de Pintura Corporal Terena, realizada pela aluna Kellen Hakany. Atividades estudantis se fizeram presentes na semana, com a produção de colunas jornalísticas e mini-documentários pela turma do curso técnico de Administração 1A4 do 3° Semestre. O grupo Kali Seno Terenoe Mariane é um coletivo de dança e expressão cultural indígena, composto por jovens da Escola Municipal Indígena Polo Pílad Rebuá, situada na Aldeia Passarinho, em Miranda-MS. O protagonismo das mulheres indígenas ganhou os holofotes do campus. O grupo não apenas realizou uma belíssima exibição de dança tradicional durante o intervalo, mas também compartilhou com o público a história de sua trajetória e resistência, fortalecendo a representatividade e o diálogo cultural. Por meio da Professora Mariana de Oliveira e seu projeto de extensão. O projeto é uma grande expressão de cultura, história e resistência, visando manter viva a identidade cultural entre os jovens, sendo descrito como um manifesto de sobrevivência e orgulho . O grafismo é uma forte expressão que carrega significados culturais, sociais e espirituais. A arte ancestral foi vivenciada na prática através da oficina conduzida pela estudante Terena, Kellen Hakany De Oliveira Pinto, do curso de Administração. Kellen utilizou a tinta natural de jenipapo, ela realizou pinturas de grafismo corporal, apresentando os significados e a importância dessa tradição para a comunidade acadêmica. A etnia Terena utiliza-se desse artifício cultural nas suas apresentações pela relação a natureza, animais e plantas, pois de acordo com a cosmologia, o terena tem a natureza como fonte principal de sobrevivência, tudo que vem da natureza tem seu encanto, além de afastar os males, que surgem na terra. O engajamento dos estudantes com a temática também se desdobrou na escrita. A visita ao Museu das Culturas Dom Bosco foi um marco para a produção de diversos trabalhos, entre eles estão mini-documentários e colunas jornalísticas com reflexões críticas e aprofundadas sobre a história e os desafios atuais dos povos indígenas. Esses estímulos de produção com teor crítico e informativo são ótimos artifícios de ensino e de construção de pensamento crítico nos estudantes, visando principalmente a visão com base informativa e intrínseca sobre assuntos tão importantes e necessários de discussão como a preservação e exposição da cultura Afro-Indígena. Grupo Kali Seno Terenoe Mariane e Professora Marina de Oliveira Estudante Kelly fazendo grafismo com tinta de Jenipapo disponibilizada pelo NEABI Coluna Jornalista 01 feita pela turma 1A4 Coluna Jornalista 02 feita pela turma 1A4

Ed. 20 Mulheres Indígenas de MS: entre tradição, resistência e protagonismo — Ed. 20, p. 7

Mulheres Indígenas de MS: entre tradição, resistência e protagonismo na luta por direitos Convidamos o projeto do NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) para fazer uma junção de março, o mês da mulher e a semana da consciência Indígena em Abril. O grupo realizou uma pesquisa com as bolsistas do projeto sobre temas e questões vividas sobre As Mulheres Indígenas do Mato Grosso do Sul Apesar de toda essa força, o cenário atual exige uma dupla jornada de resistência e uma luta constante por direitos. Nas aldeias, elas garantem a alimentação e a saúde das famílias, muitas vezes suprindo a falta do Estado. A sociedade aceita a mulher indígena como artesã, mas resiste a aceitá-la como médica, gestora ou advogada, silenciando-as por puro estereótipo. Somado a isso, elas enfrentam a violência doméstica e o feminicídio, problemas agravados pelo confinamento em terras pequenas e pela falta de canais de denúncia que respeitem suas línguas e culturas. O futuro das mulheres indígenas ainda é incerto e depende muito do reconhecimento real dos povos originários e de ações governamentais que garantam dignidade e proteção. Para transformar essa realidade, a educação e a ocupação de espaços de liderança são estratégias de defesa fundamentais. As mulheres indígenas estudam para entender as leis da sociedade não indígena e usá-las a favor da proteção de seus povos. Esse protagonismo já é visível por meio de lideranças que estão reescrevendo a história do estado, como Valdelice Veron, Val Elóy (cofundadora da ANMIGA, movimento nacional de mulheres indígenas) e as Cacicas de Taunay, as primeiras a assumir esse cargo em Aquidauana (MS). Na educação, a presença feminina indígena também transforma vidas. Um grande exemplo é a professora Mariana Cabral, da etnia Terena, que une tradição indígena e criação contemporânea dando aulas de música em projetos sociais para jovens vulneráveis. Exemplos como o dela mostram que a presença de mulheres indígenas nesses espaços precisa ser cada vez mais incentivada. Mais do que apenas "representatividade", é necessário que a liderança feminina indígena se torne algo comum e natural na nossa sociedade. Já nas cidades, o desafio é o racismo estrutural. O problema não é a falta de capacidade, o MS tem uma das maiores gerações de indígenas universitárias, mas o preconceito seletivo. As mulheres indígenas de Mato Grosso do Sul, como as das etnias Guarani Kaiowá, Ñandeva, Terena, Kinikinau e Kadiwéu, são os verdadeiros pilares de suas comunidades. Tradicionalmente, elas cuidam da união familiar, compartilham saberes ancestrais, produzem artesanato e são essenciais para a saúde nas aldeias, atuando como cuidadoras e parteiras. Hoje, essa identidade é transversal. A cultura e a espiritualidade, guiadas pelas rezadeiras, não são barreiras para o progresso, mas sim a base que dá equilíbrio para enfrentar o mundo e o preconceito sem perder o orgulho de quem são. A arte e o artesanato, por exemplo, viraram ferramentas de autonomia econômica. Quando uma mulher indígena domina uma tecnologia ou conclui um mestrado, ela não está "deixando de ser índia", ela está apenas expandindo o que significa ser indígena hoje, transitando entre dois mundos com muita habilidade. Arcevo pessoal do autor

Ed. 18 Cultura brasileira a partir da culinária africana — Ed. 18, p. 9

Cultura brasileira a partir da culinária africana A culinária afro-brasileira é uma das maiores expressões culturais do nosso país, carregando em cada prato histórias de luta, resistência e identidade. Mais do que sabores, ela representa memória e tradição, mantendo vivas práticas trazidas pelos povos africanos e recriadas no Brasil. Um dos pratos mais conhecidos é a feijoada, que nasceu nos tempos da escravidão e hoje é reconhecida como símbolo da cozinha brasileira. Outro destaque é o acarajé, bolinho de feijão-fradinho frito no azeite de dendê, típico da Bahia e carregado de significados religiosos no candomblé. Além deles, há pratos semelhantes como o vatapá, o caruru e a moqueca, que revelam o uso de temperos marcantes, como o dendê, o coco e a pimenta. Esses alimentos não são apenas comidas: são manifestações culturais que celebram a ancestralidade e a contribuição africana para a formação do Brasil. Ao valorizar e conhecer a culinária afro-brasileira, reforçamos a importância da diversidade e reconhecemos que nossa identidade enquanto povo também se constrói à mesa, com os sabores e histórias herdados de nossos ancestrais. O acarajé não é apenas um prato típico; é um símbolo vivo da ancestralidade africana, da fé e da resistência negra do Brasil. Trazido pelos povos escravizados, especialmente pelas mulheres que chegaram na região que onde é conhecido como Nigéria e Benim, o acarajé representa séculos de sabedoria preservada , religiosidade e também lutas socioculturais. O nome acarajé vem do iorubá: “akará” que significa “bola de fogo” ou “bolo de feijão” e “jé” que significa “comer”. A expressão completa significa algo como “ comer bolinho de feijão”. Originalmente o prato é feito como oferenda a orixás como Iansã(Oya) e Xango, nos rituais do Candomblé. As baianas do acarajé, presentes nas ruas de Salvador, não são apenas vendedoras: são guardiãs de um legado espiritual e cultural. O acarajé ultrapassou os limites religiosos e hoje é um dos maiores ícones da culinária. No entanto, sua essência permanece ligada à tradição e respeito. E quando feito com consciência, é também um ato de valorização da identidade negra e de tudo que ela construiu. Para conhecer um pouco desse universo, trazemos à seguir uma receita tradicional que revela como a cozinha afro-brasileira continua viva e presente no nosso dia a dia. Acarajé Ingredientes ● 500 gramas de feijão-fradinho ● 1 litro de água ● 200 gramas de cebola em pedaços ● Sal a gosto ● Pimenta-do-reino a gosto ● Óleo de dendê o quanto baste para fritar Preparo 1. No liquidificador, coloque o feijão-fradinho cru e bata bem até virar um farelo. 2. Transfira o feijão moído para uma tigela e coloque água, retirando as cascas. 3. Cubra e leve à geladeira por 8 horas. 4. Escorra a água e reserve. 5. No liquidificador, coloque a cebola em pedaços e o feijão hidratado, batendo bem novamente para que os ingredientes se misturem. 6. Transfira a mistura para uma tigela, adicionando sal e pimenta-do-reino a gosto. 7. Com uma colher, bata bem para aumentar o volume da massa do acarajé. 8. Com a colher, faça bolinhos e coloque no óleo de dendê quente, fritando bem até ficar douradinho. 9. Recheie o acarajé com vinagrete, pimenta, vatapá, caruru e camarão seco e seu bolinho está pronto para servir! Acesse: https://receitas.globo.com/tipos-de-prato/paes-e-salgados/acaraje-4e35da3c0f63084dae0031ac.ghtml

Ed. 17 Projeto Negrótica e a Comunidade Quilombola Tia Eva — Ed. 17, p. 8

Projeto Negrótica e a Comunidade Quilombola Tia Eva: saberes ancestrais, educação tecnológica e resistência O projeto Negrótica é direcionado aos estudantes da Escola Estadual Antônio Delfino Pereira, situada na Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS) e conta com a atuação dos estudantes bolsistas do NEABI/CG, hoje você vai conhecer um pouco mais sobre a parceria que vem mudando vidas. O projeto foi aprovado no Edital 007/2024 (IFB) e tem como objetivo contribuir na formação educacional antirracista dos envolvidos sem deixar de pensar na formação técnica orientada ao mundo do trabalho, aliando reflexão e criticidade ao estímulo do pensamento científico. Orientado pelo professor Fábio Luiz Faria da Silva, membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), as atividades ocorrem às segundas e quartas-feiras. Nesta etapa, o projeto tem como foco a preparação para a Olimpíada Brasileira de Robótica 2025, na modalidade artística, articulando práticas pedagógicas inovadoras com o estímulo ao pensamento crítico. Além da formação técnica, o projeto visa promover a conscientização social por meio da expressão artística, valorizando a identidade afro-brasileira no ambiente escolar. Iniciativas como essa reafirmam o compromisso com uma educação transformadora, que reconhece saberes tradicionais, promove a equidade e fortalece o vínculo entre ciência, cultura e cidadania. A história da Comunidade Quilombola Tia Eva reflete os pilares de resistência, autonomia e protagonismo negro. Fundada por Eva Maria de Jesus, mulher negra nascida escravizada no interior de Goiás e alforriada por volta dos 50 anos, a comunidade teve início após sua migração, no final do século XIX, para o sul de Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul). A partir do trabalho como curandeira, lavadeira, cozinheira, parteira e benzedeira, Tia Eva adquiriu com recursos próprios as terras onde atualmente está consolidada a comunidade que leva seu nome. Neste mês, as integrantes do NEABI visitaram a Comunidade Tia Eva, e tiveram a oportunidade de vivenciar a cultura local, dialogaram com educadores e aprenderam mais sobre os conhecimentos e práticas pedagógicas locais tradicionais que permeiam o cotidiano daquela comunidade. Pretende-se que outras visitas sejam realizadas para o fortalecimento do vínculo entre a instituição e a comunidade, bem como para a valorização, o registro e a divulgação dos saberes tradicionais. Essas ações contribuem para a construção de práticas educativas mais inclusivas, respeitosas e alinhadas com a diversidade cultural que compõe nossa sociedade. A Comunidade Tia Eva Como surgiu o negrótica? Como o NEABI participa e ajuda no projeto?

Ed. 16 NEABI do IFMS/CG realiza ações em celebração ao — Ed. 16, p. 5

NEABI do IFMS/CG realiza ações em celebração ao mês dos povos indígenas Em homenagem ao mês de abril, dedicado à luta e resistência dos povos indígenas, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFMS promoveu uma série de atividades por meio do projeto “É Tempo de Aldear: Por uma Educação Plural e Ancestral”.com o objetivo de fortalecer a visibilidade, o respeito e a valorização dos povos originários, suas histórias, culturas, saberes e modos próprios de viver e aprender. O projeto visa fortalecer a visibilidade, o respeito e a valorização das culturas, histórias e saberes dos povos originários, reafirmando o compromisso da instituição com a diversidade étnico-racial. As atividades foram organizadas em parceria com o estudante indígena Germano Coelho e com o Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena, reafirmando nosso compromisso com uma educação que reconhece e valoriza a diversidade étnico-racial. Principais ações realizadas: Oficina de Iconografia Terena em Troncos Arte-educadora Maria Auxiliadora de Bezerra conduziu a oficina, ensinando símbolos e grafismos da cultura Terena, a atividade proporcionou momentos de aprendizado sobre os símbolos, traços e grafismos da cultura Terena, permitindo que os participantes se conectem com a ancestralidade por meio da arte. Servidoras Bárbara Almeida e Clarissa de Sá, Diretor Geral Dejahyr e Pró-Reitor Anderson representaram o IFMS, fortalecendo vínculos institucionais e o diálogo com as pautas indígenas. Encerramento do “Abril Indígena” No dia 29 de Abril participamos do encerramento do ‘Abril Indígena', com apresentação da Orquestra Indígena de Campo Grande no Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena. Oficina de Argila: Aves do Pantanal A oficina estimulou o aprendizado prático e artístico, além de reforçar o respeito e a valorização dos saberes ancestrais dos povos originários, conectando os estudantes com a riqueza cultural e natural da região. Exibição do documentário “Vémo’um” (Nossa Voz em Terena) Após a exibição, houve roda de conversa sobre vivências indígenas em contexto urbano, promovendo troca de saberes e reflexões que retratam o cotidiano e as histórias da Aldeia Urbana Marçal de Souza. Após a exibição, realizamos uma roda de conversa com os participantes, que proporcionou um espaço rico para troca de diálogo sobre as vivências indígenas no contexto urbano, fortalecendo o entendimento e o respeito às culturas originárias presentes em nossa cidade. Reunião do Conselho Municipal dos Direitos Indígenas

Ed. 15 Uma trajetória de luta e resistência: a origem do — Ed. 15, p. 4

Uma trajetória de luta e resistência: a origem do NEABI no IFMS Olá, estudantes do IFMS Campus Campo Grande! Como prometido em nossa última coluna, temos o prazer de compartilhar uma entrevista exclusiva com Guilherme Tommaselli, servidor responsável pela implantação do primeiro NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) do IFMS. Vamos conhecer os bastidores dessa história de resistência, coragem e transformação! Como tudo começou Guilherme chegou ao IFMS em 2011, no Campus Três Lagoas, ainda em sua fase inicial de implantação. Na época, os campi funcionavam em estruturas provisórias, e foi nesse cenário que surgiu o convite da então diretora-geral, Girlane Bondan, para que ele liderasse a implantação do primeiro NEABI da instituição. Sem um modelo pronto no IFMS, Guilherme começou a pesquisar e dialogar com outros Núcleos já existentes em universidades e institutos pelo país, especialmente em São Paulo. Inspirado por essas referências, ele organizou a Primeira Semana da Consciência Negra do IFMS, realizada em novembro de 2011 — marco inicial das atividades do NEABI no Instituto! “Em 2011, eu estava praticamente sozinho na organização do evento. Não tínhamos sede definitiva, não havia apoio estruturado e o ambiente institucional era de medo e insegurança”, relembra. A chegada de outros servidores engajados, como o professor Gilmar em 2012, fortaleceu a caminhada, tornando possível a realização da segunda edição do evento e consolidando a atuação do núcleo. Desafios iniciais e resistência A implantação do NEABI não foi isenta de dificuldades. Segundo Guilherme, houve resistência interna, inclusive por parte da gestão, com professores que não liberaram alunos para participar da Semana da Consciência Negra e pouca adesão institucional à iniciativa. Desafios atuais Apesar dos avanços, os desafios ainda são muitos. Entre os principais, Guilherme destaca: ➔ Reconhecimento institucional do NEABI como uma coordenação, com função gratificada (FG) e valorização do trabalho realizado; ➔ Garantia de espaço físico adequado nos campi, já que em alguns locais o núcleo sequer possui uma sala; ➔ Remuneração e continuidade das bolsas, que têm sido inconsistentes e desvalorizadas; ➔ Maior poder de deliberação, deixando de ser apenas um órgão consultivo para atuar diretamente em casos de racismo e em políticas étnico-raciais no IFMS. Uma luta coletiva e contínua Para Guilherme, o futuro do NEABI depende da continuidade dessa luta. “A liberdade que os nossos antepassados sonharam ainda está em construção, e é por meio da nossa resistência que ela vai se concretizar. Eu acredito nesse futuro, e acredito que o NEABI terá um papel fundamental nele.” E Graças ao esforço de Guilherme estamos aqui com o nosso projeto, transformando vidas por meio da educação e uma educação anti racista. retirada da

Ed. 14 Você já sabe o que é o NEABI? — Ed. 14, p. 6

NEABI Você já sabe o que é o NEABI? Talvez você já tenha visto algum cartaz ou post sobre as atividades do NEABI por aí, certo? Em 2024 fizemos vários eventos como palestras, oficinas, visitas e até exposições de cinema! Mas, se ainda não nos conhece, deixa eu me apresentar: nós somos o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas — ou, como gostamos de chamar, NEABI. O nosso trabalho é garantir que a História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena possam estar presente em tudo o que fazemos na escola: nas aulas, nos projetos de ensino, pesquisa e extensão. Isso é o que as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 exigem, e o NEABI é um dos espaços para que isso aconteça. A gente está no IFMS desde 2016, quando o Conselho Superior aprovou nosso regulamento pela Resolução nº 090, mas as ações começaram bem antes, lá em 2011, com a organização do primeiro Dia da Consciência Negra no IFMS Campus Três Lagoas, pelo servidor Guilherme Tommaselli. (Spoiler: Fique atento, em nossa próxima coluna por aqui traremos uma entrevista com ele, para contar como foi esse comecinho!) Que tal vir conhecer a gente? Nos encontramos todas as quartas-feiras, às 13h, na sala E103. E já avisamos: sempre tem café e biscoito pra todo mundo! Vale citar que: Estamos aqui para auxiliar a comunidade escolar a ser mais humana. Nossas atividades, além da parte didática, também contribuem para a conscientização de todas as pessoas do IFMS, de modo a diminuir/extinguir casos de racismo e injúria racial aconteçam no nosso Campus. Afinal, além de inadmissível, são crimes com penalidade prevista em lei. Caso você presencie ou aconteça algo contigo, não hesite em nos procurar pelo email neabi.cg@ifms.edu.br ou instagram @cg.neabi.

Fale Conosco

Entre em contato com o NuAR

E-mail

nuar.lab.cg@ifms.edu.br

Instagram

@ifms.nuar

Localização

IFMS Campus Campo Grande